domingo, 1 de dezembro de 2013

da lembrança ou dos sentidos.

As minhas mãos guardavam todos os toques:
teu rosto
todo o teu corpo
todo o meu.

Os meus olhos guardavam os teus: profundos.
Guardavam ainda todas as voltas,

todas as partidas,
e tu desaparecendo ao longe.
Todas as lágrimas.

O meu nariz guardava o cheiro do teu cabelo:
era camomila - eu sabia.
E mesmo depois de tanto tempo
eu voltaria a sentir o mesmo perfume vivo,
num breve delírio.

A minha boca guardava todos os beijos roubados
e ainda os que não haviam sido dados.
Guardava ainda, todos os murmúrios,
todas juras e todas injúrias.
Todos os gritos de pavor.


De todos os toques
o teu era o mais cru.
E só.
E como não passavam de sentidos
perderam-se no último suspiro,
o sono profundo
dissolvendo-se na amálgama da vida
de atos e gastos
sem sentido algum.

E para quê lembrar? Eu pergunto.

Para que eu exista, para que tu, porcamente exista
para que possamos esquecer e, definitivamente
morrer.

(Revisão por Maurício Levandoski)

Um comentário:

Rodrigo de Assis Passos disse...

sabe aquilo que vc pensou em escrever neste poema e por medo, ou simplesmente pq não cabia no seu senso estético sobre o poema, aquilo que sentiu e transpirou horas a fio, era a poesia que realmente deveria ter colocado neste seus versos, o resto que escrevemos é costumes e vaidades.