quarta-feira, 10 de abril de 2013

Não me escrevas pois

Não me escrevas pois chove.
Tuas cartas chegarão molhadas pela chuva forte que cai aqui no sul.
Tuas letras tão bem traçadas de uma caligrafia cuidadosa não serão nada além borrões negros no papel amarelado - grudado pelas extremidades molhadas e envergado depois de seco.

Não me escrevas pois tuas cartas nunca chegarão.
A tormenta aqui é forte e tu não sabes do estrago que ela sempre causa - tu nunca a presenciaste pois tu nunca vieste a esses lados. Assim, não sabes como o tempo se comporta aqui.

Não me escrevas pois acima de tudo eu não quero saber das tuas palavras vãs tentando a beleza de um poema que nunca será

Não me escrevas pois eu não estou mais aqui.
Estou onde sempre estive.
Estou onde nunca me encontraste, e nunca há de me encontrar.

 

2 comentários:

Thays Carolina Ferreira disse...

Que sucinto!
Eis que me identifico...

não me escreva
pois aqui dentro a quentura é de saudade
mas chove lá fora
e eu sequer posso me molhar com você em papel


Sigo-te, ainda que em silêncio.

Paz. E flores.

Anônimo disse...
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