quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Carona

Depois de muito tempo a deriva, num lugar distante que se assemelha a um deserto existencial, num mar de solidão e reclusão, porém, de visão - uma nova visão-, eu o encontrei. Fui encontrar logo no último lugar da Terra, no lugar mais solitário, mais escuro, mais frio e mais longínquo que se apresentara depois de uma cadeia de montanhas além dos oceanos mais infinitos: um cais. Estava ali, do outro lado da linha escura, limitando entre o dia e a noite, entre o rasgo e o beijo, entre a vida e a morte. Guiara-me. 
O Horizonte era infinito e, de repente, tropecei no meu navio afundado, ali, na areia. Eu dera a volta ao mundo e nem percebera. Não percebera as forças que me seguravam em terra e tão pouco todos os obstáculos que se apresentavam ali: o desafio fora travado, porém, recusado. Eu recusara enfrentá-los de forma indigna: todos eles eram os mesmos de sempre. em suas piores piores formas. 
Nunca olhara para trás com os mesmos olhos que olhara para frente. Círculos desembocavam meus caminhos sempre na mesma cova lodosa, suja e fria. Porém, eu estava, agora, há apenas alguns quilômetros do cais. Suspiro.
Meus músculos das pernas e braços doíam, mas eu não poderia, de forma alguma sucumbir ao ódio, ao declínio. "Aceita pois quando caíres, mais uma vez, sem força alguma, será o fim: fracassara mais uma e última vez". Largara todos os pesos de todos os músculos e ossos, carregara-me dali até uma embarcação próxima, pegara uma carona e de pronto desfalecera. Quando acordara, já estava longe. Pela primeira vez, tudo estava bem.

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